Newsletter#40- O segredo que diminui as crises de Fibrilação Atrial em 45%

17/09/2026

Muitas pessoas têm receio de praticar exercícios físicos quando recebem o diagnóstico de Fibrilação Atrial (FA), com medo de que o esforço possa disparar novas crises. No entanto, a ciência acaba de comprovar o oposto: movimentar-se de forma estruturada e personalizada é uma das armas mais poderosas para proteger o seu coração.

Um estudo de grande porte apresentado na sessão Hot Line do Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC Congress 2026), realizado em Munique, Alemanha, mostrou que um programa de exercícios adaptado reduziu a carga total da arritmia em impressionantes 45% ao longo de um ano.

O que é a Fibrilação Atrial e por que ela preocupa?

Considerada a arritmia cardíaca sustentada mais comum do mundo, estima-se que a FA afete mais de 50 milhões de pessoas globalmente, e essa prevalência continua aumentando. O problema ocorre quando as câmaras superiores do coração (os átrios) batem de forma desordenada e ineficiente.

Embora mudanças no estilo de vida e modificação de fatores de risco sejam reconhecidas como centrais no manejo da FA, o exercício sob medida continua sendo subutilizado. Segundo o Dr. Bjarne Nes (da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia), Pesquisador Principal do estudo, dados da Sociedade Europeia de Ritmo Cardíaco (EHRA) mostram uma lacuna de implementação preocupante: apenas 1 em cada 10 pacientes elegíveis é encaminhado para reabilitação baseada em exercícios.

O grande perigo dessa condição envolve sintomas desafiadores (como palpitações, tontura e falta de ar) e complicações graves:

Risco de AVC aumentado em até 5 vezes: Como o sangue não é bombeado corretamente, ele pode estagnar nos átrios e formar coágulos que provocam um Acidente Vascular Cerebral (AVC).


Insuficiência cardíaca: A longo prazo, o ritmo descontrolado pode desgastar o músculo cardíaco, levando à perda de força do coração para bombear o sangue.

Hospitalizações frequentes: A FA representa uma das maiores causas de internações de origem cardiovascular no mundo.


O que o Estudo NEXAF Revelou?

O ensaio clínico randomizado NEXAF, conduzido em três centros na Noruega, avaliou 295 pacientes com FA não permanente e níveis de atividade física abaixo das recomendações gerais (média de idade de 64 anos; 30% mulheres). O estudo comparou pacientes que seguiram um programa de exercícios de 1 ano com aqueles que receberam apenas o tratamento habitual (sem exercícios estruturados).

Todos os participantes utilizaram um monitor cardíaco inserível (ICM) para avaliação contínua da arritmia. Os resultados no grupo de intervenção foram marcantes:

Como Funciona a Rotina de Treinos Híbrida e Viável?

Um dos destaques ressaltados pelo Dr. Bjarne Nes é que o programa combinou uma supervisão inicial com acompanhamento remoto de longo prazo, utilizando poucos recursos de pessoal e mostrando-se altamente viável na prática clínica:

Por que a Reabilitação Cardiovascular é Essencial?

O estudo NEXAF reforça decisivamente os argumentos para a implementação ampla do exercício estruturado e contínuo no cuidado da FA. O acompanhamento especializado garante que o paciente treine dentro da margem de segurança ideal, colhendo o máximo de benefícios cardiovasculares e reduzindo o risco de complicações e internações hospitalares.

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Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

Divulgador científico da Central da Reabilitação

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